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Rádio e TV aberta injetam mais de US$ 1 trilhão na economia

Fernando Morgado analisa dados que mostram o efeito positivo provocado pela radiodifusão, inclusive na geração de empregos

Rádio e TV aberta injetam mais de US$ 1 trilhão na economia

Ainda que alguns detratores, muitas vezes movidos por interesses inconfessáveis ou pelo deslumbramento com dados pouco ou nada transparentes, tentem diminuir a força do rádio e da TV, a realidade da economia sempre se impõe.

Um denso relatório da Woods & Poole Economics, firma independente de análise demográfica e econômica, traz à luz a magnitude financeira da radiodifusão nos Estados Unidos, o maior e mais competitivo mercado de mídia do mundo e principal referência internacional para as emissoras comerciais brasileiras.

De acordo com o estudo, o rádio e a televisão aberta locais geram 1,19 trilhão de dólares por ano no Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense. Desse montante, os canais de TV são responsáveis por 748,03 bilhões de dólares, enquanto as rádios geram 437,04 bilhões de dólares.

Para além de indicadores de receita, chama atenção o efeito de estímulo que as emissoras provocam na economia em geral: 997,46 bilhões de dólares. Isso significa que, para cada dólar investido no rádio ou na televisão aberta, há um efeito multiplicador que movimenta comércios, indústrias e todos os demais setores. Isso demonstra que a radiodifusão não é um fim em si mesma, mas uma alavanca de desenvolvimento.

Rádio e TV: capilaridade e geração de empregos

Mesmo diante dos avanços da inteligência artificial, que apontam para uma otimização das despesas com pessoal, o rádio dos Estados Unidos gera mais de 115 mil empregos diretos, enquanto a TV aberta soma quase 196 mil vagas. Já o impacto total, direto e indireto, da radiodifusão é de 2,46 milhões de postos de trabalho, sendo 1,55 milhão ligados à televisão e 909 mil ligados ao rádio.

Esses números são gerados por uma grande estrutura formada por 10.607 estações de rádio e 1.240 canais de televisão aberta comerciais. Diferentemente de grandes corporações do Vale do Silício, que, via de regra, operam em poucos endereços, a radiodifusão exige equipes locais formadas por artistas, jornalistas, profissionais de vendas e técnicos em várias cidades, o que acaba por irradiar o impacto econômico para muito além dos grandes centros populacionais.

Se os números estadunidenses são superlativos, a importância da radiodifusão no Brasil é igualmente grande. Temos uma das maiores redes de radiodifusão do planeta. Só de emissoras de rádio são mais de 10 mil, entre comerciais e educativas. Em um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, são apenas o rádio e a TV aberta que chegam com qualidade e, principalmente, de graça a muitos lugares.

A gratuidade da radiodifusão e o serviço público

A gratuidade é um atributo que não pode ser ignorado. Enquanto o acesso à internet é condicionado, a radiodifusão é universal. Tomemos como exemplo prático a Copa do Mundo deste ano. Enquanto redes sociais como o YouTube exigem que o usuário tenha um plano de dados robusto (que não é barato) de forma a garantir uma transmissão minimamente estável, o rádio e a televisão aberta levarão jogos sem cobrar nada dos brasileiros. Isso significa inclusão.

Aqui cabe traçar uma clara linha divisória: YouTube não é serviço público. Rádio e TV aberta são. As emissoras operam a partir de concessões outorgadas pelo Estado, com responsabilidades editoriais, jurídicas e sociais. Elas têm o dever de prestar serviços à comunidade, especialmente em momentos de crise e desastres.

Neste mundo fragmentado, com cada vez mais opções de entretenimento e informação, é preciso destacar os meios que geram resultado de verdade, sem medo de auditorias externas. A audiência do rádio e da televisão aberta é medida por institutos independentes, e não por métricas inventadas pelos próprios veículos e infladas por robôs.

Complementaridade de mídias contra mentiras digitais

Deixo claro aqui que não nego a evolução da tecnologia, muito pelo contrário. Concordo plenamente que todas as mídias se complementam. Uma campanha publicitária eficaz deve, idealmente, envolver múltiplos canais. No entanto, é exatamente por entender isso que ressalto a contribuição da radiodifusão para a comunicação, baseando-me sempre em levantamentos independentes realizados no Brasil e no exterior.

O problema está na narrativa mentirosa, sem qualquer lastro na realidade, que pseudogurus de marketing digital disseminam por aí. Eles dizem que o rádio e a televisão aberta morreram (assim mesmo, no presente) para fazer com que as marcas tirem os bilhões de reais que investem nesses meios. Trata-se de um imenso movimento baseado em achismo, ignorância e preconceito.

Ora, como podem ter morrido duas mídias que, juntas, injetam mais de um trilhão de dólares na maior economia do planeta?

É preciso que o mercado de comunicação não se deixe contaminar por discursos irracionais. Quanto mais dados e transparência tivermos, melhor para todos: dos anunciantes, que buscam crescimento, à sociedade em geral, que precisa de conteúdos acessíveis e confiáveis.

Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.

Imagem de capa: IA/ChatGPT

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