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5G broadcast coloca a TV mais perto de engolir a internet

Fernando Morgado analisa os impactos comerciais da tecnologia que permite ver TV aberta no celular sem gastar plano de dados

5G broadcast coloca a TV mais perto de engolir a internet

Em setembro de 2025, escrevi um artigo para o NaTelinha afirmando que, com a TV 3.0, “acaba a guerra de mercado com a internet, porque, na prática, a TV come a web”. Eu não apenas mantenho essa minha afirmação como a amplio agora, após o início das demonstrações de 5G Broadcast no Brasil. Trata-se da tecnologia que permitirá assistir à televisão aberta no smartphone ou em qualquer outro dispositivo móvel sem consumir a franquia de internet e sem sobrecarregar as redes celulares.

Os testes, realizados pela CNT em Curitiba, começaram em fevereiro. No dia 13 de março, a emissora promoveu uma demonstração que foi acompanhada por diversas autoridades, incluindo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.

Essa novidade é importante por várias razões. Em primeiro lugar, o 5G Broadcast preserva a gratuidade da TV aberta diante de um consumo de internet cada vez maior e que, como todos nós sabemos, não é nem barato nem livre.

Nesse contexto, a web é dominada por poucas empresas. Elas, com todo o seu tamanho e poder, atuam como verdadeiras porteiras, permitindo passar apenas os conteúdos que lhes convêm. O 5G Broadcast permite, portanto, que os canais abertos acessem diretamente os 272 milhões de smartphones em uso no Brasil (fora os demais aparelhos móveis), diminuindo a dependência da boa vontade das big techs. Isso é mais liberdade para o mercado e soberania para o país.

Essa nova tecnologia, se bem difundida, pode fortalecer ainda mais a posição da televisão aberta, que é a maior mídia do país, tanto em termos de investimento publicitário quanto de audiência. De acordo com o Ibope, a TV aberta brasileira concentra 56,2% do share em todos os dispositivos.

Para além desses benefícios concretos, há outro mais intangível, mas igualmente importante. O 5G Broadcast é uma grande notícia que se soma a tantas outras, como o avanço da TV 3.0 e os recentes ganhos de share de audiência. Forma-se, assim, um panorama positivo em torno da televisão aberta, que tem sido alvo de uma série de ataques sem precedentes à sua imagem.

Pseudogurus de marketing digital espalham visões absolutamente equivocadas sobre televisão. Alguns chegam ao cúmulo de afirmar que a TV simplesmente não existe mais (ou, como preferem dizer, “morreu”). Já outros tratam redes sociais como emissoras, ainda que elas não tenham forma, função ou regulação para tal. Esse terraplanismo midiático gera sérios prejuízos para agências, anunciantes e veículos, que ficam com sua capacidade de análise prejudicada, dificultando investimentos.

A depender de sua popularização, o 5G Broadcast pode, de fato, representar, junto com toda a TV 3.0, uma mudança radical do conceito de televisão. Ele poderá aumentar o potencial do consumo em movimento e reforçar o controle dos canais sobre a distribuição de suas programações, com consequências diretas também para a geração de receita. Pode ainda corrigir algumas das assimetrias que hoje marcam a disputa de mercado entre as empresas brasileiras de comunicação e os porteiros da internet mundial.

Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.

Foto de capa gerada por IA/ChatGPT

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