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TV aberta: 72% da audiência é heavy user

Fernando Morgado mostra como o hábito e a relevância sustentam a força da televisão aberta brasileira em um cenário de adição midiática

TV aberta: 72% da audiência é heavy user

A televisão aberta é a maior mídia do Brasil tanto em termos de investimento publicitário quanto de audiência. De acordo com o Painel Cenp-Meios, os canais abertos receberam 9,7 bilhões de reais em verbas dos anunciantes em 2025, contra 7,1 bilhões de display e outros, que ficou na segunda colocação. Além disso, cerca de 2/3 da audiência em aparelhos de TV/CTV está com os canais abertos, conforme dados do IBOPE de julho de 2026.

Mas, para uma análise ainda mais completa, é preciso ir além desses números e olhar outros aspectos, que são igualmente importantes e dialogam diretamente com algo fundamental nestes tempos que correm: a atenção.

E para conquistar mais atenção do público, a televisão faz de tudo para que seus telespectadores sejam recorrentes, ou seja, que assistam com a maior frequência possível. Sendo assim, é importante verificar não apenas quem vê TV, mas quem vê TV de forma mais intensa, pois é dessa intensidade que saem os grandes resultados, inclusive para quem anuncia.

Uma pesquisa realizada no ano passado pela Quaest e contratada pela MIDIACOM-RJ, entidade que representa os meios de comunicação do Rio de Janeiro, trouxe dados reveladores nesse sentido. De acordo com o levantamento, 72% do público carioca e fluminense de TV aberta é heavy user dessa mídia, que é a líder em frequência. Ainda de acordo com a pesquisa, 24% dos entrevistados fazem uso moderado e apenas 4% disseram consumir os canais abertos de forma eventual.

Esses dados mostram que a TV aberta não apenas possui uma audiência gigantesca, mas fiel. E vale ressaltar que o estudo foi realizado no Rio de Janeiro, estado que tem o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) e a segunda maior região metropolitana do Brasil. Além disso, a capital fluminense é o maior destino turístico do país, responde por 80% do cinema brasileiro, reúne todas as telenovelas nacionais (Globo e Record) em produção na atualidade, tem a sede do maior grupo de mídia da América Latina (Globo) e é a cidade latino-americana mais filmada.

Ou seja: trata-se de um mercado que respira audiovisual e que, dispondo de todas as opções possíveis de entretenimento e informação, prefere a televisão aberta. E o faz porque gosta e quer. Ninguém obriga.

No fim das contas, a força da TV aberta está justamente onde os números de alcance não conseguem revelar sozinhos. Está nas conversas, no hábito e nos grandes momentos que mobilizam o país. Quando algo realmente importa, as pessoas não perguntam onde a televisão aberta está. Elas simplesmente ligam a TV, pois os canais verificam o fato e, ao mesmo tempo, conferem peso a ele. Afinal, poucas coisas são mais impactantes do que uma vinheta de plantão do telejornalismo.

É por isso que, mesmo nesse contexto que chamo de adição midiática, em que os meios se acumulam caoticamente e não se aniquilam, a televisão aberta preserva um atributo cada vez mais raro e valioso: relevância. E relevância não é como mato, que brota de qualquer jeito em qualquer lugar. É algo que se conquista todos os dias. No caso da TV aberta, todos os dias há 76 anos, completados no último dia 18 de setembro.

Fernando Morgado é consultor e palestrante com quase 20 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.

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