Uma das maiores fake news espalhadas sobre o rádio é a de que ele não é mais ouvido pelos jovens. Muitas pesquisas sérias, várias delas divulgadas inclusive nas minhas redes sociais, desmontam essa mentira.
Nos Estados Unidos, o maior e mais competitivo mercado de mídia do planeta, a faixa etária em que o rádio é mais ouvido é a de 18 a 34 anos: são 59,4 milhões de pessoas que escutam FM/AM semanalmente. Apenas a título de comparação, a faixa com 65 anos ou mais tem 54,8 milhões de ouvintes e é a menor delas. Esses dados são da Nielsen e se referem ao primeiro trimestre de 2025.
Em Portugal, país com o qual temos laços indeléveis, 54% dos jovens entre 16 e 28 anos escutam rádio via FM e 25% ouvem via streaming, conforme pesquisa realizada pela Ipsos Apeme no ano passado. O Brasil segue um caminho semelhante e o IBOPE, que realiza pesquisas regulares de audiência em 13 regiões metropolitanas, informa aos seus assinantes a grande fatia de ouvintes que tem até 39 anos de idade.
E existem outros dados independentes que comprovam a força do rádio entre os jovens. Alguns deles são fornecidos por agregadores que não pertencem às big techs. Essas plataformas de áudio cumprem um papel relevante na atração de público e na geração de tráfego para as emissoras, que, assim, ampliam sua presença nos computadores e, principalmente, nos celulares.
E um dos agregadores mais importantes é o Tudo Rádio, que existe desde 2004 e tem como proprietário o jornalista Daniel Starck. Além de todo o conteúdo editorial, o Tudo Rádio também disponibiliza o sinal ao vivo, via streaming, de mais de 6 mil emissoras. Trata-se, portanto, de uma amostra robusta do mercado brasileiro, acrescida de um diferencial que nenhum outro agregador possui: a credibilidade do maior veículo dedicado à cobertura do dia a dia do rádio.
E foi ao Tudo Rádio que recorri para encontrar, nos dados, a resposta à seguinte pergunta: qual é o consumo das rádios brasileiras voltadas ao público jovem? Essa questão é central porque trata, ao mesmo tempo, de oferta e demanda.
Do lado da oferta, revela o mar de emissoras nacionais dedicadas aos ouvintes jovens, uma das provas mais óbvias da ligação do meio com as novas gerações. Do lado da demanda, comprova que os jovens consomem o conteúdo ofertado.
Porém, cabe salientar: este meu levantamento considerou apenas as rádios categorizadas pelo Tudo Rádio como jovens, mas os jovens não estão restritos a elas e escutam também rádios adultas, jornalísticas, religiosas e de todos os demais formatos de programação.
A resposta para a pergunta veio na forma de um número gigantesco, coletado em maio passado: 53.327.004. Esta é a quantidade de plays, ou seja, a quantidade de vezes que foram ouvidas as rádios jovens existentes no Tudo Rádio. Dez rádios desse segmento acumulam um milhão ou mais de plays, o que revela não apenas a força dessas emissoras, mas também a capilaridade da audiência, já que o volume restante de plays está espalhado por centenas de outras rádios, sediadas em todos os cantos do país, que completam essa categoria.
Os números deixam pouca margem para dúvidas. Há jovens ouvindo rádio nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil. Há jovens consumindo emissoras de diferentes formatos e gêneros. E há mais de 53 milhões de plays registrados pelas rádios jovens, conforme dados do Tudo Rádio. Diante de tantas evidências, produzidas por fontes independentes, insistir na ideia de que o rádio deixou de ser relevante para as novas gerações significa ignorar os fatos. Como acontece tantas vezes no nosso meio, a realidade é bem mais interessante do que os preconceitos que se criam em torno dele.
Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.