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Televisão é a grande campeã da Copa do Mundo

Fernando Morgado analisa a liderança de audiência da TV aberta, trata do papel dos institutos de pesquisa e apresenta o conceito de adição midiática

Televisão é a grande campeã da Copa do Mundo

Estava almoçando com minha namorada em um restaurante na Savassi, em Belo Horizonte, no domingo seguinte à estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026. Em determinado momento, passou ao lado da nossa mesa um menino que não devia ter mais de sete anos. De mãos dadas com o pai, ele exclamou: “Calculei vários segundos a mais para a CazéTV!”

Ressalto: uma criança estava empolgada com a TV aberta e sua maior agilidade em comparação com a rede social YouTube. Esta é uma das maiores provas de que o tema do delay realmente caiu na boca do povo e de que esse mesmo povo, inclusive os mais jovens, valoriza a radiodifusão, que alguns nas redes sociais insistem em classificar como obsoleta ou, pior, morta.

Essa questão técnica só acrescentou mais um diferencial para a TV aberta, que, como já era previsto, teve resultado muito superior em audiência no confronto direto com as big techs. Nem mesmo comparações equivocadas entre dados do próprio YouTube versus dados prévios de pesquisas independentes foram capazes de esconder a vitória do sinal aberto.

Tampouco prosperaram as publicações de caçadores de likes dando conta de que, segundo o YouTube, o YouTube da CazéTV bateu recorde no YouTube, conforme dados gerados pelo próprio YouTube. A verdade é que os brasileiros, inclusive aqueles que trabalham no mercado publicitário, estão cada vez mais vacinados contra esse tipo de narrativa sem sentido.

Aqui, cabe um parêntese: discussões sobre a evolução da pesquisa independente de audiência não apenas são válidas como necessárias, afinal, trata-se da principal régua de medição do desempenho dos verdadeiros canais de televisão. Contudo, reivindicar melhorias não pode ser confundido com defender o fim das pesquisas independentes.

Aniquilar os institutos independentes só favorece os maiores concorrentes da TV aberta na atualidade: as big techs. Sem dados independentes, os únicos números disponíveis no mercado seriam aqueles fornecidos pelas próprias big techs que, por óbvio, colocariam a si mesmas na liderança, estivessem elas de fato lá ou não. E pior: sem qualquer espaço para o debate público que hoje ocorre em torno das pesquisas independentes.

Deixo claro que não sou contra as big techs. Sou a favor daquilo que chamo de adição midiática, que nada mais é do que a realidade que sempre vivemos. Mídias nascem, se transformam e, exatamente por isso, não morrem. Mas, principalmente, mídias se acumulam.

Desenvolvi esse conceito de adição midiática a partir do que vi recentemente ao participar do projeto de branding de uma grande empresa de distribuição de energia elétrica. Nesse setor, já não se fala tanto em transição energética, conceito que transmite a ideia de troca de uma fonte por outra. Fala-se mais em adição energética, o que envolve a coexistência de várias fontes, cada uma com suas características, pois só assim será possível suportar o desenvolvimento da humanidade.

O mesmo vale para a mídia. Dizer que apenas redes sociais como o YouTube serão capazes de dar conta de todas as necessidades de entretenimento e informação é ignorar a nossa própria vida. Afinal, todos somos consumidores de várias mídias, não raro ao mesmo tempo, de forma absolutamente caótica. E é caótica porque a nossa vida, em várias áreas, é cada vez mais assim. Quem defende que tudo se resumirá a uma só plataforma propõe uma simplificação da realidade que a própria realidade desmente.

Por isso, parabéns, CazéTV. Parabéns, ge tv. Parabéns, N Sports. Parabéns, SBT. Parabéns, sportv. Parabéns, TV Globo. Parabéns às rádios brasileiras. Parabéns a todos os outros veículos que não transmitem as partidas da Copa do Mundo, mas realizam coberturas jornalísticas do evento. Vocês estão provando, com um trabalho brilhante, que cada mídia tem seu papel e que qualquer discurso imbecil sobre a morte das mídias não para de pé. Isso é bom para o mercado, mas, sobretudo, bom para o Brasil.

Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.

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