Se hoje podemos declarar que caducou a imbecil profecia do fim do rádio, isso se deve à saraivada de dados confiáveis e evidências, nacionais e internacionais, que todos nós, que militamos no meio, compartilhamos sem cessar. Mas há um número importante que ainda é pouco divulgado: a quantidade de emissoras em operação no Brasil.
De acordo com dados que coletei em 10 de agosto de 2026 na plataforma Mosaico, da Anatel, existem 19.648 canais licenciados de TV aberta e de rádio FM e AM espalhados pelos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território nacional. Desse montante, 4.243 são canais de rádio, sendo 4.019 em FM e 224 em AM. Trata-se, portanto, de um dos maiores sistemas de radiodifusão do mundo.
A distribuição desses canais, por óbvio, tende a estar mais concentrada em estados com grande população e pujança econômica, ainda que outros fatores, mais de ordem geográfica, territorial ou cultural, também interfiram na instalação de emissoras.
São Paulo é o estado com mais canais de rádio licenciados: são 674, representando 16% do total nacional. Minas Gerais é o segundo estado com mais canais, com 498 (12% do total). O top 5 é completado pelos três estados da região Sul: Rio Grande do Sul, com 400 canais (9% do total); Paraná, com 360 (8% do total); e Santa Catarina, com 249 (6% do total).
Juntos, esses cinco estados representam 51% de todos os canais licenciados de rádio do Brasil.
Indo além do Sudeste e do Sul, outros estados também aparecem com destaque. Na região Norte, o Amazonas, maior estado brasileiro em extensão territorial, tem 222 rádios licenciadas, ocupando a sexta posição no ranking nacional. No Nordeste, a Bahia lidera, com 186 canais licenciados. Já no Centro-Oeste, Goiás aparece na primeira posição regional, com 142.
Esses números ajudam a dimensionar a capilaridade do rádio no Brasil. São milhares de emissoras distribuídas por um território de dimensões continentais, atendendo mercados de diferentes portes econômicos e traços culturais.
Essa capilaridade também ajuda a explicar o porquê de o rádio ser tão relevante. A presença de emissoras em todos os rincões permite que governos, instituições e marcas em geral se comuniquem de forma muito mais próxima com os públicos que desejam alcançar. Nas rádios, mesmo aquelas que operam em rede, fala-se e escuta-se o sotaque local.
Estamos tratando, portanto, de uma verdadeira indústria, que é extremamente dinâmica e gera emprego e renda para milhares de pessoas. Aliás, não só para quem trabalha dentro das emissoras, mas também para quem anuncia e fornece produtos e serviços para elas.
Como puderam existir pessoas que realmente pensavam (e pior, disseram publicamente) que um sistema desse tamanho, que gera tanto impacto social, poderia acabar de uma hora para outra?
Fernando Morgado é consultor e palestrante com quase 20 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.